Água
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Redução de consumos e gestão de água na adega – objetivo ideal de rácio 1L água consumida vinho produzido/ 1L vinho produzido água consumida

 

Para além de ser um recurso natural importante e limitado, estruturante e estratégico, a água é também um fator essencial para o desenvolvimento económico de qualquer empresa. Assim, é necessário garantir um uso racional e eficiente deste recurso.

 

Considerando o Alentejo como uma região com bastantes desafios em relação à disponibilidade de água, é estritamente necessário avaliar as disponibilidades, reduzir as necessidades e contribuir para a preservação e/ou aumento das reservas de água. Esta gestão de água corresponde igualmente a um interesse económico ao nível empresarial, uma vez que os desperdícios de água representam uma despesa material e imaterial com um valor muito relevante para qualquer empresa. 

 

O repto associado ao rácio proposto tem como base de referência consumos conseguidos noutros países produtores de vinho, onde certos produtores atingiram consumos que rondam os 0,75 l e 1 litro de água por cada litro de vinho produzido. No Alentejo, o consumo de água varia entre os 1,2 (nos casos mais eficientes) e os 14,4 litros de água por litro de vinho. Esta ampla diferença sugere que existe um enorme potencial para reduzir o consumo de água no processo produtivo dentro da adega.

 

Nas adegas, a água é necessária para limpeza, sendo também distribuída para utilização em diferentes etapas do processo produtivo, sendo que em ambos os sectores há lugar para a introdução de melhorias. No Alentejo, a água de abastecimento é geralmente extraída ou de um aquífero ou de uma barragem próxima. Perante as crescentes ameaças impostas pelas alterações climáticas, nomeadamente Verões mais intensos e Invernos menos rigorosos que levam a fenómenos de seca regulares, a necessidade de uma gestão melhorada e mais eficiente dos recursos hídricos é, portanto, de extrema importância.

 

 

Embora o volume de água utilizado na adega seja marginal em comparação com o volume de água utilizado na vinha, o custo envolvido num e noutro caso é consideravelmente diferente. A água utilizada na irrigação das vinhas recebe um tratamento relativamente simples, enquanto a água utilizada nas adegas geralmente passa por um tratamento mais complexo. 

 

Para os viticultores e vitivinicultores, isto traduz-se num determinado custo global de tratamento por metro cúbico de água. Por conseguinte, a fim de se evitar etapas desnecessárias, os métodos de tratamento de água devem ser desenvolvidos em função de uma cuidada monitorização da qualidade da água de abastecimento e tendo em conta qual o destino final a dar à água tratada. A título de exemplo, a redução da concentração de produtos químicos utilizados na limpeza das áreas de processamento tem um impacto direto na utilização em quantidades reduzidas de químicos menos nocivos no tratamento das águas residuais. 

O desenvolvimento de Procedimentos Operacionais específicos para as várias etapas de limpeza implicadas no processo de vinificação pode aumentar significativamente a previsibilidade dos volumes de água necessários para lavar e desinfetar uma adega. Isto, por sua vez, ajudará a evitar a utilização desnecessária de água. Para além disso, a reutilização ou a recirculação de água em qualquer fase do processo de vinificação pode, potencialmente, diminuir grandemente a utilização de água, resultando numa poupança mínima significativa, dependendo do custo global do tratamento da água.

 

Alguns exemplos de boas práticas para a redução dos consumos de água na vitivinicultura do Alentejo:

 

Objetivos gerais do PSVA para a Gestão de Água:

  • Cumprimento de toda a legislação referente à utilização de água no processo de produção;
  • Fomentar uma cultura de produção na óptica de redução de consumo de água para um ideal litro de água por litro de vinho produzido;
  • Apoiar tecnicamente a introdução de soluções ecoeficientes e de melhores práticas disponíveis que resultem na melhoria da competitividade dos membros do PSVA;
  • Recolher, sistematizar informação técnica, económica e ambiental, e promover a sua difusão, conduzindo ao desenvolvimento de novos processos de impacto ambiental mais reduzido.