Biodiversidade
Biodiversidade

Vantagens do enrelvamento

Nas últimas décadas, a aplicação intensiva de herbicidas levou a uma deficiente gestão dos solos com resultados negativos tanto na saúde humana como no ambiente.

 

Entre as várias consequências ambientais, destacam-se:

  • Erosão do solo;
  • Arrastamento de nitratos;
  • Perda de matéria orgânica;
  • Diminuição da biodiversidade;
  • Aparecimento de infestantes resistentes aos herbicidas;
  • Contaminação de toalhas freáticas com herbicidas.

 

Todos estes fatores remetem para a necessidade de práticas alternativas de gestão do solo que minimizem o impacto ambiental, aumentando, assim, o ciclo dos nutrientes.

 

Neste contexto, a CVRA, pretende incentivar os membros do PSVA à implementação do enrelvamento, recomendando-o enquanto prática de viticultura sustentável. O enrelvamento surge assim como uma pratica alternativa de gestão do solo, proporcionando uma viticultura mais sustentável graças aos seus efeitos em termos de dinamismo ambiental.

 

 

Esta técnica ancestral consiste na instalação ou no desenvolvimento de uma cobertura vegetal do solo para cobrir total ou parcialmente a superfície da vinha podendo esta cobertura ser temporária ou permanente.

 

As vantagens do enrelvamento são múltiplas:

  • Controlo e/ ou redução da erosão do solo;
  • Melhoria da estrutura do solo;
  • Libertação de nutrientes uteis para as videiras através da decomposição dos resíduos dos enrelvamentos;
  • Infiltração da água permitindo níveis satisfatórios de humidade;
  • Melhoria da mobilidade para máquinas agrícolas.

 

Pelos efeitos que produz na videira, o enrelvamento pode ainda reduzir a densidade da sebe e, assim, contribuir para uma menor incidência de fungos de botrytis, normalmente conhecidos como “podridão cinzenta” e para a melhoria da maturação da uva.

 

A cobertura vegetal do solo contribui também para aumentar a biodiversidade do ecossistema da vinha, nomeadamente no que respeita aos organismos auxiliares (organismos que podem contribuir para a diminuição considerável da população de pragas da vinha), minhocas e outra fauna existente, ajudando a manter o controlo de eventuais pragas.

 

Para a instalação do enrelvamento, deve-se ter em conta os seguintes fatores (entre outros):

  • O período logo após a vindima para a sementeira;
  • Preparar o terreno de forma a manter uma camada superficial com cerca de 6 a 10 cm;
  • Controlar os níveis de fósforo e potássio, para obter bons níveis de fertilização e correção do solo;
  • Fazer o revestimento com leguminosas, que garantem elevadas taxas de fixação biológica, contribuindo para o nível de fertilidade do solo. Caso o solo já revele níveis elevados de fertilidade, o revestimento poderá ser feito também com gramíneas.

 

Apesar de todas as vantagens indicadas é preciso ter em conta que dependendo de alguns aspetos fundamentais o enrelvamento pode provocar, nos primeiros anos e dependendo da sua composição, uma inibição ou aumento do crescimento vegetativo e do vigor da videira. 

 

Entre estes aspetos destacam-se:

  • As características do “terroir” (clima, solo, casta, enxerto);
  • O vigor inicial da videira;
  • A fertilização da vinha;
  • Todos os fatores que condicionam o uso da água pelos relvados e a fauna e flora existente no solo.

 

 

 

Consideram-se igualmente como potenciais desvantagens o risco de pragas de infestantes em anos mais secos, a concorrência das espécies vegetais infestantes com a vinha pela água e nutrientes, nomeadamente em solos pedregosos, arenosos e “secos”. Nessas condições, o que se tem verificado nalguns casos é uma recuperação ao fim de alguns anos, como resultado da adaptação do sistema radicular da videira.

 

No entanto, o enrelvamento é possivelmente dos sistemas de gestão do solo mais sustentáveis para a cultura da vinha, oferecendo uma das opções mais práticas e com melhor relação custo-benefício para fornecer a matéria orgânica necessária para manter e melhorar um solo.